Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

OEI. 21/05/2020
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A Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) reuniu mensagens de artistas de 14 países ibero-americanos para marcar o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, celebrado hoje (21). A iniciativa faz parte da campanha #TiempoDeCultura em defesa do direito à cultura em tempos de coronavírus, bem como ratifica a contribuição decisiva que a cultura traz para o desenvolvimento da região e o bem-estar dos cidadãos ibero-americanos.

Artistas de renome como o cantor e compositor dominicano Pavel Núñez (da banda chilena Chancho en piedra), do fadista português Pedro Moutinho, do escultor costarriquenho Néstor Zeledón ou mesmo da ministra da Cultura do Peru, Sonia Guillén, reivindicam o poder da cultura para minimizar o impacto da pandemia no setor artístico e cultural.

“O que faríamos sem os artistas, sem os poetas, sem os fotógrafos, sem os músicos em um momento tão difícil quanto o que a Humanidade está passando?”, Pergunta Freddy Ginebra, gerente cultural, escritor e ator dominicano. “Investir na cultura é investir nas pessoas, é investir no que nos identifica, no talento, na criatividade, na convivência; investir no desenvolvimento social e comunitário”, afirma o fotógrafo hondurenho Maynor Lizandro Aguilar.

De fato, calcula-se que as indústrias criativas e culturais representam entre 2% e 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe e representam 1,9 milhão de empregos na região.

A cultura teve que se reinventar em diferentes formatos ou dimensões, como explica a música panamenha Mar Alzamora. No entanto, nas palavras de Paula Disla, atriz dominicana, "muito em breve sentiremos os aplausos novamente, veremos as luzes, levantaremos as cortinas e diremos, viva o teatro!"

Confira as mensagens dos artistas participantes da campanha #TiempoDeCultura


A cultura na Ibero-América não para

Desde que o estado de emergência começou na maioria dos países da região, a OEI realizou um levantamento para determinar como o setor cultural foi afetado durante a crise do Covid-19 no espaço ibero-americano. Perguntas como: Que medidas foram tomadas para ajudar o setor cultural a resistir à crise? Quais foram as iniciativas culturais mais inovadoras desenvolvidas na Ibero-América em meio à quarentena? fazem parte de um espaço virtual criado pela OEI com base em informações obtidas de fontes nacionais oficiais, a partir de dados coletados pelos escritórios da Organização nos países que fazem parte da OEI.

Graças a essa análise, foi estabelecido que, por exemplo, devido à natureza de suas atividades - na maioria das vezes fixas, itinerantes e sem contrato fixo - o setor cultural foi reconhecido como um dos mais afetados pela atual pandemia. Por esse motivo, muitos países adotaram medidas econômicas para combater os efeitos do coronavírus nas classes artistas e de criadores do mundo da cultura. Países como Argentina, Chile, Colômbia, Equador e Espanha destinaram recursos diretos para aliviar os danos do confinamento em gestores artísticos e culturais. Por seu lado, Portugal e Costa Rica implementaram medidas de moratória no pagamento de impostos para trabalhadores independentes, muitos deles vinculados a área de cultura.

Como resultado desse monitoramento também foi possível verificar que as mudanças abruptas que o coronavírus causou no cotidiano de milhões de pessoas não foi uma desculpa para a paralisia da cultura na Ibero-América. Iniciativas como visitas virtuais a exposições de arte ou concertos de música tradicional, transmitidos ao vivo por plataformas virtuais e redes sociais têm sido as mais notáveis da região.

No Brasil, músicos brasileiros têm se destacado com shows realizados de casa e transmitidos pela internet. Alguns gestores públicos culturais também adaptaram iniciativas. É o caso da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo que está com uma ampla programação acessível pela internet. O Governo Federal, por sua vez, estabeleceu procedimentos extraordinários para captação, execução, prestação de contas e avaliação de resultados de projetos financiados, via Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro disponibilizou filmes de forma gratuita na internet e com o apoio de voluntários, criou um projeto de contador de histórias por telefone. Já a Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro está com uma série de iniciativas online. As ações vão desde eventos acessíveis por meio das mídias sociais ao incentivo a projetos audiovisuais, além de publicação de editais para festivais musicais pela web e apoio a vendas de produtos culturais por telefone e internet.

Instituições importantes como o Museu do Prado, na Espanha, o Museu Nacional de Antropologia, no México, o Museu do Ouro, na Colômbia, e o Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires, na Argentina, ofereceram visitas virtuais de 360°de forma gratuita por meio de plataformas digitais.

Todas essas iniciativas estão registradas pela OEI e fazem parte da campanha #LaOEIcontigo que, desde o início do estado de emergência, busca analisar os efeitos que a crise do coronavírus causou nos campos da educação, ciência e cultura, bem como amenizar os efeitos sofridos pela área, além de sugerir propostas regionais.