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Brasília, 30 de julho de 2009. O Boletim Empresas, publicação digital da Alfabetização Solidária - AlfaSol - divulgou em sua edição de Junho-Julho de 2009 entrevista com a diretora da OEI no Brasil, Ivana de Siqueira. Leia a entrevista completa abaixo.
1 - Quais as diretrizes defendidas pela OEI em relação à educação para seus parceiros Ibero-Americanos? Ivana: A OEI é um organismo internacional de caráter governamental para a cooperação entre os países ibero-americanos nos campos da educação, da cultura, da ciência e da tecnologia. Sua missão é estimular práticas que promovam a universalização do direito à educação, a melhoria da qualidade e da equidade educativa ao longo da vida, o aprofundamento da identidade cultural ibero-americana no reconhecimento de sua diversidade, o reforço da cooperação científico-tecnológica e a busca de uma relação entre as áreas educativa, científica e cultural. No campo específico da educação, a OEI tem, dentre seus objetivos estratégicos, a promoção de políticas educacionais nos países membros que incrementam as oportunidades de educação para todos por meio do fortalecimento das políticas de atenção à infância, à alfabetização, à educação básica dos jovens e adultos, assim como das políticas de formação técnico-profissional, de inclusão educativa e de preocupação com as famílias de imigrantes, com o fim de assegurar uma maior equidade nos sistemas educativos. 2 - Que ações a OEI tem implementado para fomentar as discussões sobre o tema? E quais são os principais resultados obtidos? Ivana: Os ministros de Educação dos países membros aprovaram, na Conferência realizada em El Salvador, em 2008, a proposta de construção de um conjunto de Metas Educativas Comuns que fossem cumpridas até 2021, período em que a maioria dos países comemora os bicentenários de suas independências. A OEI elaborou um primeiro documento de Metas Educativas 2021 - A Educação, que queremos para a geração dos bicentenários. O objetivo desses documentos é facilitar o debate interno, de modo que cada país, em harmonia com seus planos nacionais e prioridades, estabeleçam o seu próprio Projeto de Metas. 3 - Qual o papel das organizações da sociedade civil no alcance das metas educacionais dos países ibero-americanos? Ivana: Como falei anteriormente, o Projeto de Metas Educativas não é um projeto apenas surgido do acordo firmado entre governos e seus ministérios, mas deve levar em consideração todo o conjunto da sociedade. É necessário que os diversos atores da sociedade participem ativamente desse processo de debate, oferecendo sugestões e contribuindo na construção desse Plano para se criar um compromisso mais firme no fortalecimento da educação e nas alternativas de cumprimentos das metas estabelecidas. 4 - Quais são as expectativas para o Encontro Ibero-americano de Alfabetizadores e Educadores de Jovens e Adultos, que será realizado em Assunção, Paraguai, ainda este mês? Ivana: Esse Encontro é uma grande oportunidade que a OEI oferece aos países da região para compartilhar suas experiências, discutir metodologias e estratégias, bem como possibilitar o intercâmbio de experiências e poder fortalecer os laços de cooperação entre os países de forma que cada um possa contribuir para o projeto maior da região de eliminar o analfabetismo. Evento homenageia Ruth Cardoso A Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, com apoio do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), realizaram, no dia 2 de julho, um seminário em memória à Dra. Ruth Cardoso. Aberto pela presidente do Conselho Curador da FAAP, Celita Procópio de Carvalho, o evento teve a participação de intelectuais, colaboradores e amigos da professora, falecida em 24 de junho de 2008. Fernando Henrique Cardoso falou da companheira como alguém que tinha uma "personalidade multidimensional": "Ruth era convicta de seus objetivos. Quando queria fazer alguma coisa, fazia. Mas nunca quis ter uma dimensão de poder. Era complexa, rica e sempre assumiu uma dimensão humana de compromisso." De acordo com FHC, um dos grandes méritos da Dra. Ruth estava no fato de ela se empenhar em criar instituições, mas com a preocupação de não sufocá-las. "Era uma militante social", afirmou. Ao se referir a Vilmar Faria, companheiro acadêmico e amigo da Dra. Ruth Cardoso e também homenageado no evento, o ex-presidente resumiu a trajetória de ambos: "Eles tiveram uma vida vivida. Sabiam como ninguém trabalhar o tempo: faziam o tempo em que estavam render frutos para tempos futuros." O primeiro painel do seminário, intitulado "A Intelectual", teve depoimentos da professora e grande amiga da Dra. Ruth, Eunice Durham, da aluna e catedrática da Universidade de Berkeley (USA), Teresa Caldeira, dos amigos e também professores José de Souza Martins e José Arthur Giannotti. Do segundo, "Terceiro Setor", participaram o ex-ministro e presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, Paulo Paiva, o professor Augusto de Franco, a ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, da pesquisadora e ex-assessora internacional de Ruth Cardoso, Malak Poppovic, e do diretor do Instituto Sócio-Ambiental, Beto Ricardo. Já o terceiro e último painel, "Comunidade Solidária", aberto por Miguel Darcy de Oliveira, contou com as participações do deputado federal Osmar Terra e da superintendente executiva da Alfabetização Solidária, Regina Célia Esteves de Siqueira, que falou sobre o significado da Dra. Ruth Cardoso para a formação e consolidação da RedeSol, união de organizações por ela iniciadas. "Em 2002, Ruth Cardoso afirmou que a 'trajetória da Comunidade Solidária não se concluía em dezembro de 2002. De certo modo, sequer começou em 1° de janeiro de 1995. Fortalecimento da sociedade e promoção do desenvolvimento são prioridades estratégicas que vêm de longe e não têm data para terminar'", afirmou, citando Ruth Cardoso. Ainda segundo Regina Esteves, "as ONGs gestadas no âmbito do Conselho da Comunidade Solidária continuam suas atividades mantendo os ideais de Ruth Cardoso: Universidade Solidária, Capacitação Solidária, Alfabetização Solidária, Artesanato Solidário e Comunitas personificam um conjunto articulado de desafios e potencialidades da sociedade civil brasileira". E completou: "A política defendida e ensinada por Ruth Cardoso é a política do diálogo, que congrega a ação dos grupos de mulheres, de jovens, dos universitários, com o grupo dos negros, dos índios, dos artesãos, dos ambientalistas, dos jovens e adultos excluídos do sistema público de ensino, potencializando sua força em ações articuladas, porém sem abrir mão de suas especificidades e demandas históricas." O governador José Serra encerrou o evento, relembrando seus bons momentos com a Dra. Ruth Cardoso, e ressaltou importantes qualidades da sempre presente amiga: "Seu senso de reserva e de responsabilidade pública, aliado à qualidade intelectual e generosidade, pontuam qualidades cada vez mais raras em uma pessoa." E completou: "Ela sempre se manteve otimista em relação à sociedade." Legenda: Sérgio Fausto, Miguel Darcy de Oliveira e Regina Célia Esteves de Siqueira compõem a mesa na homenagem prestada à dra. Ruth Cardoso Foto: AlfaSol/Divulgação
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