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OEI - Notícias - "V Campus Euro-americano de Cooperação Cultural"

O lugar se constituiu num espaço de encontro e reencontros, de renovação de idéias, de estímulo para o desenvolvimento de projetos conjuntos, para a nova incorporação de temas e de especialistas de ambos continentes, levando em consideração que o Campus é um projeto com um dinamismo próprio e que se consolidou como um espaço de renovada energia e projeção profissional.

Das sínteses e conclusões principais emanadas do encontro reafirmou-se a natureza de reflexão própria do Campus com o desenho e proposta de novas iniciativas de cooperação cultural no espaço euro-americano.

Este trabalho está sendo reforçado por ser um trabalho em rede e estar consolidando diferentes propostas, a partir da produção científica sobre os temas em debate, estimulando a co-produção de novos projetos de cooperação e criando em definitiva uma comunidade de aprendizagem e formação.

Sumário preliminar de conclusões

1. Cooperação

Vários fatores de mudança no cenário internacional atual (novas tecnologias, identidades múltiplas, migração, novas formas de criação e de articulação entre setores, etc.) suscitam perguntas sobre as formas da cooperação cultural internacional: como adequar as estruturas, as políticas e as alianças.

Entre outras coisas, parece necessário que a cooperação cultural privilegie a multilateralidade e opere em vários níveis, do local até o trabalho em escala internacional dos organismos intergovernamentais e dos movimentos civis. Também se destaca a conveniência de orientar a cooperação mais em processos que em produtos. Entre as várias prioridades da cooperação cultural, se mencionou principalmente o acesso, a distribuição, a sensibilização de públicos e o investimento em talento. Dito isto devemos ser conscientes que todo processo de cooperação cultural implica assumir certos riscos e que, portanto, é necessário fazer um esforço na planificação dos processos, e assumir uma autonomia operativa e institucional.

A necessidade de vincular a ação e a cooperação cultural com os principais desafios da agenda internacional (luta contra a pobreza, mudança climática, segurança, etc.) gera um amplo consenso. Existem numerosos espaços de intersecção entre os interesses do setor cultural e estas questões de interesse global. Outro âmbito em que se registram iniciativas significativas de colaboração e um amplo interesse por prossegui-las é a relação entre educação e cultura.

No entanto, a adequada articulação entre a cultura e as estratégias de desenvolvimento continua sendo um desafio, e poderia adotar diferentes formas: da reivindicação da centralidade da cultura, passando pelo potencial do setor cultural para atuar como conector (modem) entre setores, até a utilização da ação cultural como instrumento ao serviço de outros objetivos. Também existem visões diferentes quanto à utilidade de outros setores como exemplo a seguir: para alguns, a integração do meio ambiente ou os direitos humanos nas estratégias de desenvolvimento proporcionam modelos úteis; para outros, estas analogias são limitadas e não sabem reconhecer os aspectos mais conflituosos da cultura.

Aprecia-se a urgência de melhorar a articulação dos agentes culturais com outros setores da sociedade civil (por exemplo as ONGD) e com responsáveis políticos, com objetivo de sincronizar ou integrar as agendas. A ausência de um movimento civil global em favor da cultura, que implique não só nos profissionais mas também na população, em geral, continua sendo um motivo de preocupação.

A cultura é um dos desafios chaves do Século XXI e tem que ser reconhecido como tal em primeiro lugar pelo próprio setor. A partir daí, é necessário desenvolver um discurso político, realizar tarefas de "lobbying" (sensibilização, pressão, etc.) realizar ações mediáticas. O trabalho deve ser orientado também para poder antecipar-se aos desafios do futuro.

2. Diálogo intercultural

De forma crescente, se reconhece em todos os níveis de governo a necessidade de adotar perspectivas de interculturalidade, no marco da inerente diversidade das sociedades contemporâneas e a incorporação de reflexões culturais na agenda global.

O êxito da noção de diálogo intercultural é a prova disso, mas também gera dúvidas e obriga a reexaminar suas premissas conceituais. Ainda que o diálogo seja positivo e necessário, existe certo consenso na idéia de que quem deve dialogar são as pessoas. Entre culturas se estabelecem relações de outros tipos.

A afirmação de que a diversidade cultural deveria ser acompanhada de um questionamento de seus limites, com o fim de garantir a preeminência de valores universais e a construção de espaços de convivência. O diálogo cultural também pode desencadear situações conflitantes.

A importância de desenvolver um pluralismo cultural em escala mundial, como ideologia democrática, que reconhece o valor da diversidade social, lingüística e cultural.

A trascendência e complexidade do diálogo intercultural exigem assumir os múltiplos níveis: o local e o nacional são necessários, mas são insuficientes se não estão acompanhados de ações no plano internacional.

O diálogo intercultural se expressa no campo da criação mediante a configuração de espaços de intermediação, nos quais os interlocutores geram novos territórios de reconhecimento mútuo e definição conjunta de linguagens e significados. Os espaços intermediários também são fundamentais para o êxito ou o fracasso dos processos de cooperação cultural. A imagem do outro que apresentam, por exemplo, os meios audiovisuais costumam mover-se entre o exótico e o conflituoso.

O diálogo intercultural deve sustentar-se em políticas que reforcem a participação cidadã na vida cultural. Para isso, é necessária a existência de um espaço público para a expressão e o debate de idéias. As administrações locais devem assumir um papel fundamental nesse sentido. Também é básico o pleno reconhecimento de direitos e o exercício da cidadania.

A globalização, por outra parte, contribui para a segregação social e a juventude se constitui num grupo de pessoas vulneráveis ante as esperanças e promessas baseadas em ideais de beleza, êxito e felicidade. Os jovens se constituem no conjunto social nos quais mais e melhor se manifestam os efeitos do mal-estar cultural.

Parece necessário repensar o modelo educativo, a fim de proporcionar um espaço de conhecimento compartilhado em grupo, um espaço de criação cultural e um espaço de formação de cidadania.

Uma visão integradora da diversidade deveria reconhecer outras dimensões das identidades, que são múltiplas e plurais, por exemplo a diversidade sexual, de gênero, etc.

Por último, deve assumir-se e reivindicar-se que alguns desequilíbrios e diversidades expressados de forma cultural têm uma base mais social que cultural e requerem medidas de eqüidade social.

3. Conclusões

O V Campus Euro-americano de Cooperação Cultural contribui para a consolidação dos Campi como processo e como evento. Produz-se no marco de um aumento das políticas, em escala local, nacional e internacional, que apostam na proteção e na promoção da diversidade cultural, no reconhecimento dos direitos culturais e no fomento do acesso e participação na vida cultural.

O Campus confirma sua vocação de combinar um espaço de reflexão com o desenho e proposta de novas iniciativas de cooperação cultural no espaço euro-americano. Deve fortalecer-se a tradução efetiva dos discursos em ações.

Para isso, se detecta a necessidade de incrementar a investigação e o conhecimento sobre a realidade da cooperação cultural, o diálogo intercultural e a relação entre cultura e desenvolvimento, tratando por exemplo a definição de necessidades culturais e a avaliação de resultados e impactos dos programas culturais. Também é importante evitar a dispersão de iniciativas e fomentar o intercâmbio de práticas. Em todos os âmbitos estudados, parece importante reforçar os processos formadores.

Por último, futuras edições deveriam incorporar mais vozes críticas e discutir a bondade de certas estratégias culturais, para fortalecer o discurso e evitar a marginalização.