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O
lugar se constituiu num espaço de encontro e reencontros, de renovação de
idéias, de estímulo para o
desenvolvimento de projetos conjuntos, para a nova incorporação de temas e de especialistas
de ambos continentes, levando em consideração que o Campus é um projeto com um
dinamismo próprio e que se consolidou como um espaço de renovada energia e projeção
profissional.
Das
sínteses e conclusões principais emanadas do encontro reafirmou-se a natureza
de reflexão própria do Campus com o desenho e proposta de novas iniciativas de
cooperação cultural no espaço euro-americano.
Este
trabalho está sendo reforçado por ser um trabalho em rede e estar consolidando
diferentes propostas, a partir da produção científica sobre os temas em debate,
estimulando a co-produção de novos projetos de cooperação e criando em
definitiva uma comunidade de aprendizagem e formação.
Sumário preliminar de
conclusões
1. Cooperação
Vários fatores de
mudança no cenário internacional atual (novas tecnologias, identidades múltiplas,
migração, novas formas de criação e de articulação entre setores, etc.) suscitam
perguntas sobre as formas da cooperação cultural internacional: como adequar as
estruturas, as políticas e as alianças.
Entre outras coisas,
parece necessário que a cooperação cultural privilegie a multilateralidade e
opere em vários níveis, do local até o trabalho em escala internacional dos
organismos intergovernamentais e dos movimentos civis. Também se destaca a
conveniência de orientar a cooperação mais em processos que em produtos. Entre
as várias prioridades da cooperação cultural, se mencionou principalmente o acesso,
a distribuição, a sensibilização de públicos e o investimento em talento. Dito
isto devemos ser conscientes que todo processo de cooperação cultural implica assumir
certos riscos e que, portanto, é necessário fazer um esforço na planificação
dos processos, e assumir uma autonomia operativa e institucional.
A necessidade de
vincular a ação e a cooperação cultural com os principais desafios da agenda
internacional (luta contra a pobreza, mudança climática, segurança, etc.) gera
um amplo consenso. Existem numerosos espaços de intersecção entre os interesses
do setor cultural e estas questões de interesse global. Outro âmbito em que se
registram iniciativas significativas de colaboração e um amplo interesse por prossegui-las
é a relação entre educação e cultura.
No entanto, a adequada
articulação entre a cultura e as estratégias de desenvolvimento continua sendo
um desafio, e poderia adotar diferentes formas: da reivindicação da centralidade
da cultura, passando pelo potencial do setor cultural para atuar como conector
(modem) entre setores, até a utilização da ação cultural como instrumento ao
serviço de outros objetivos. Também existem visões diferentes quanto à utilidade
de outros setores como exemplo a seguir: para alguns, a integração do meio
ambiente ou os direitos humanos nas estratégias de desenvolvimento proporcionam
modelos úteis; para outros, estas analogias são limitadas e não sabem reconhecer
os aspectos mais conflituosos da cultura.
Aprecia-se a urgência
de melhorar a articulação dos agentes culturais com outros setores da sociedade
civil (por exemplo as ONGD) e com responsáveis políticos, com objetivo de
sincronizar ou integrar as agendas. A ausência de um movimento civil global em
favor da cultura, que implique não só nos profissionais mas também na população,
em geral, continua sendo um motivo de preocupação.
A cultura é um dos
desafios chaves do Século XXI e tem que ser reconhecido como tal em primeiro
lugar pelo próprio setor. A partir daí, é necessário desenvolver um discurso
político, realizar tarefas de "lobbying" (sensibilização, pressão,
etc.) realizar ações mediáticas. O trabalho deve ser orientado também para
poder antecipar-se aos desafios do futuro.
2.
Diálogo intercultural
De forma crescente, se
reconhece em todos os níveis de governo a necessidade de adotar perspectivas de
interculturalidade, no marco da inerente diversidade das sociedades contemporâneas
e a incorporação de reflexões culturais na agenda global.
O êxito da noção de
diálogo intercultural é a prova disso, mas também gera dúvidas e obriga a reexaminar
suas premissas conceituais. Ainda que o diálogo seja positivo e necessário,
existe certo consenso na idéia de que quem deve dialogar são as pessoas. Entre culturas
se estabelecem relações de outros tipos.
A afirmação de que a
diversidade cultural deveria ser acompanhada de um questionamento de seus limites,
com o fim de garantir a preeminência de valores universais e a construção de
espaços de convivência. O diálogo cultural também pode desencadear situações
conflitantes.
A importância de desenvolver
um pluralismo cultural em escala mundial, como ideologia democrática, que reconhece
o valor da diversidade social, lingüística e cultural.
A trascendência e
complexidade do diálogo intercultural exigem assumir os múltiplos níveis: o
local e o nacional são necessários, mas são insuficientes se não estão
acompanhados de ações no plano internacional.
O diálogo intercultural se expressa no campo da criação mediante a configuração
de espaços de intermediação, nos quais os interlocutores geram novos territórios
de reconhecimento mútuo e definição conjunta de linguagens e significados. Os
espaços intermediários também são fundamentais para o êxito ou o fracasso dos
processos de cooperação cultural. A imagem do outro que apresentam, por exemplo,
os meios audiovisuais costumam mover-se entre o exótico e o conflituoso.
O diálogo
intercultural deve sustentar-se em políticas que reforcem a participação cidadã
na vida cultural. Para isso, é necessária a existência de um espaço público
para a expressão e o debate de idéias. As administrações locais devem assumir um
papel fundamental nesse sentido. Também é básico o pleno reconhecimento de direitos
e o exercício da cidadania.
A globalização, por outra
parte, contribui para a segregação social e a juventude se constitui num grupo
de pessoas vulneráveis ante as esperanças e promessas baseadas em ideais de
beleza, êxito e felicidade. Os jovens se constituem no conjunto social nos
quais mais e melhor se manifestam os efeitos do mal-estar cultural.
Parece necessário
repensar o modelo educativo, a fim de proporcionar um espaço de conhecimento
compartilhado em grupo, um espaço de criação cultural e um espaço de formação
de cidadania.
Uma visão integradora
da diversidade deveria reconhecer outras dimensões das identidades, que são
múltiplas e plurais, por exemplo a diversidade sexual, de gênero, etc.
Por último, deve assumir-se
e reivindicar-se que alguns desequilíbrios e diversidades expressados de forma
cultural têm uma base mais social que cultural e requerem medidas de eqüidade
social.
3. Conclusões
O V Campus Euro-americano
de Cooperação Cultural contribui para a consolidação dos Campi como processo e
como evento. Produz-se no marco de um aumento das políticas, em escala local,
nacional e internacional, que apostam na proteção e na promoção da diversidade
cultural, no reconhecimento dos direitos culturais e no fomento do acesso e participação
na vida cultural.
O Campus confirma sua
vocação de combinar um espaço de reflexão com o desenho e proposta de novas
iniciativas de cooperação cultural no espaço euro-americano. Deve fortalecer-se
a tradução efetiva dos discursos em ações.
Para isso, se detecta
a necessidade de incrementar a investigação e o conhecimento sobre a realidade
da cooperação cultural, o diálogo intercultural e a relação entre cultura e desenvolvimento,
tratando por exemplo a definição de necessidades culturais e a avaliação de
resultados e impactos dos programas culturais. Também é importante evitar a dispersão
de iniciativas e fomentar o intercâmbio de práticas. Em todos os âmbitos estudados,
parece importante reforçar os processos formadores.
Por último, futuras edições deveriam incorporar mais vozes críticas e
discutir a bondade de certas estratégias culturais, para fortalecer o discurso
e evitar a marginalização. |