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OEI - Notícias - "Apresentação da Carta Cultural Ibero-Americana"

A Carta surge da aspiração dos países ibero-americanos em definir um instrumento que sirva de marco normativo para elaborar políticas culturais nacionais, respeitando as regras internacionais e os direitos fundamentais. É a primeira vez que a comunidade ibero-americana possui um instrumento que trata sobre os direitos culturais e a proteção da diversidade cultural.

A ministra de cultura da Espanha, Carmen Calvo, o Secretário-Geral Ibero-americano, Enrique Iglesias; e o Secretário-Geral da OEI, Álvaro Marchesi, apresentaram, no Museu do Prado de Madri, a Carta Cultural Ibero-americana, um ambicioso projeto político que senta as bases para a estruturação do espaço cultural ibero-americano e para a promoção de uma posição mais forte e protagonista da comunidade ibero-americana ante o resto do mundo em um de seus recursos mais valiosos: sua riqueza cultural.

A idéia de elaborar uma Carta Cultural nasceu, no começo deste século, em diversos foros governamentais, acadêmicos e setores profissionais da cultura, promovidos pelo Convênio Andrés Bello e pela OEI com o apoio dos ministérios das Relações Exteriores e de Cultura da Ibero-América.             Toma impulso definitivo a partir da aprovação das “bases da carta” na VIII Conferência Ibero-americana de Cultura realizada em Córdoba em 2005, e referendadas na XV Cúpula Ibero-americana de Salamanca. Seu texto definitivo foi aprovado na XVI Cúpula, realizada em Montevidéu no ano 2006.

No processo de elaboração da Carta intervieram importantes intelectuais e altos funcionários de diversos países, entre os quais se destacam por parte de Espanha, Jesús Prieto de Pedro, Yago Pico de Coaña e outros representantes dos ministérios de assuntos exteriores e de cooperação e de cultura da Espanha.

Para a Ministra, trata-se de um documento ’singular e o primeiro em escala mundial’ que surge no marco da Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO e que dota à comunidade ibero-americana de uma ’agenda comum’, com caráter obrigatório e com compromissos políticos e culturais.

O Secretário-Geral Ibero-americano, Enrique Iglesias, destacou que a Carta cultural é um compromisso político para defender a ’riqueza’ e a ’diversidade’ cultural da comunidade ibero-americana, e que favorece as ’condições para a melhor circulação dos bens culturais’.

O Secretário-Geral da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), Álvaro Marchesi, indicou que este acordo foi fruto de um processo de negociação para conseguir que a cultura seja um espaço privilegiado para a cooperação e que este projeto tem um alto conteúdo educativo, especialmente nos temas vinculados à educação artística e à educação para a cidadania.

O documento se estrutura sobre um triplo critério que define a cultura como portadora de valores e marca de identidade, a reconhece como uma fonte geradora de riqueza econômica e, por último, a coloca como um elemento transversal nas relações internacionais dentro da região e no exterior, capaz de materializar-se em medidas legislativas e políticas nacionais e internacionais.

Trata-se de uma ferramenta comum para que os países ibero-americanos possam expressar-se sobre os assuntos culturais com uma voz própria e coordenada nos âmbitos internacionais, especialmente naqueles temas vinculados aos direitos culturais e se propõe reafirmar os vínculos que unem cultura, desenvolvimento e diálogo, criando uma plataforma inovadora de cooperação cultural internacional.

Assistiram também à apresentação da Carta a Secretária de Estado para Ibero-América, Trinidad Jiménez, o ex-presidente colombiano, Ernesto Samper, os Embaixadores Ibero-americanos credenciados na Espanha e outras personalidades do mundo cultural.

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11 de junho de 2007