De
paz
Diário
de Cuiabá
Colniza não
é a cidade pintada com letras de sangue como a rotulou a Organização dos
Estados Ibero-americanos (OEI). O povo que ali vive é ordeiro, a juventude se
diverte na noite e a população economicamente ativa ganha o pão de cada dia na
força dos braços enfrentando as adversidades amazônicas e a ausência do Estado.
Os crimes registrados em Colniza, no período de 2001 a 2004, revelam uma taxa
de homicídios de 165,3 por grupo de 100 mil habitantes – a maior do Brasil,
segundo a OEI. Esse quadro é mascarado pela população sub-registrada pelo IBGE,
muito embora não se possa negar que o revólver e a cartucheira espalhem sangue
e dor na zona rural.
A cidade de Colniza é pacata. A zona rural do município, no entanto, é palco de
disputas pela terra, que em alguns casos resultam em mortes. Impassíveis,
município, Estado e União permanecem numa incômoda distância que não pode mais
perdurar.
Ontem, o deputado federal e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária
do Estado de Mato Grosso (Famato), Homero Pereira (PR), revelou a produtores rurais,
que participavam de um fórum sobre a construção do trecho ferroviário de Alto
Araguaia a Cuiabá, que costura os últimos detalhes para a criação de uma força
itinerante liderada pela Famato para resolver problemas agrários onde os mesmos
acontecem. Homero disse que o pontapé inicial será em Colniza. Detalhando a tal
força – que sequer teve o nome definido -, acrescentou que será uma espécie de
mutirão de média ou até mesmo longa duração nos municípios, para se chegar ao
cerne dos problemas e tentar solucioná-los.
Homero explicou que a meta é levar a assessoria jurídica da Famato ao interior
juntamente com técnicos do Intermat, Sema, Secretaria de Fazenda,
Procuradoria-Geral do Estado, representantes da Assembléia Legislativa,
prefeitura, vereadores e Fetagri, além de órgãos federais iguais ao Ibama,
Funai e Incra, para que juntos, cada um em sua esfera de competência, amenizem
a tensão agrária e evitem a anomalia fundiária que costuma afunilar para o
homicídio e a pistolagem.
A força itinerante será um marco nacional para estancar os crimes de origem
agrária. Também servirá para interiorizar o governo e a Famato. Essa iniciativa
será estendida aos municípios de Marcelândia e Alto Araguaia e outros, revela o
deputado. Que a proposta de Homero se materialize, porque o campo quer paz e
comprovadamente não se resolve problema agrário no interior através de
burocratas engravatados, em salas refrigeradas em Cuiabá.
EDUARDO GOMES é jornalista