Cidades
da região fazem parte do Mapa da Violência
Diário
dos Campos - Ponta Grossa - RS
Ivaí e Ortigueira fazem parte do grupo de municípios que concentram 71,8% dos homicídios registrados no país; Ponta Grossa fica fora da estatística
Ponta Grossa, com 40 assassinatos registrados em 2004, não é citada pelo estudo
@ Da Redação
PONTA GROSSA - Os óbitos por homicídios no Brasil concentram-se em 556 cidades, o que representa apenas 10% do total de municípios do país. Dos 48.345 óbitos por esta causa, ocorridos em 2004, 34.712 foram registrados nessas cidades. Elaborado com base nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, o livro “Mapa da Violência dos Municípios Brasilei ros”, publicação da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), revela dados como esses e traz outra constatação preocupante: as vítimas mais comuns dos homicídios são jovens, a maioria negros E do sexo masculino.
O estudo revela, ainda, que as mortes violentas vêm ocorrendo, com mais intensidade, nos municípios do interior do país, em especial no Centro-Oeste. Das 10 cidades com as maiores taxas de mortalidade por homicídio, seis encontram-se no Centro-Oeste. Destas, quatro estão no Mato Grosso. Também chama a atenção o fato de algumas dessas cidades serem de pequeno porte, contrariando a histórica concentração de mortes por causas violentas em grandes cidades.
Com base nos dados do Ministério da Saúde, o levantamento, realizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, revela que a maior taxa de mortalidade do país, em 2004, foi a de Colniza, cidade do interior do estado do Mato Grosso, com população de 12,4 mil habitantes. Enquanto que o Brasil reg istrou, naquele ano, 27,2 homicídios por 100 mil habitantes, em Colniza o registro chegou a 165,3 óbitos por 100 mil habitantes. Em segundo lugar, está outra cidade do Mato Grosso, Juruena, com 137,8 óbitos por 100 mil habitantes entre uma população de 6,2 mil.
A segunda e terceira posições em índices de violência também são ocupadas pela região Centro-Oeste: o município de Juruena, em Mato Grosso, possui média de 137,8 homicídios a cada 100 mil habitantes, e Coronel Sapucaí, em Mato Grosso do Sul, registra 116,4 homicídios por 100 mil habitantes. Serra, no Espírito Santo, e São José do Xingu, também em Mato Grosso, aparecem nas posições seguintes.
Ponta Grossa, com 64 assassinatos em 2004, não aparece nesta relação. Do Paraná, são relacionados 40 municípios. Neste ranking elaborado por Jacobs a cidade de Foz de Iguaçu aparece em 11ª; Tunas (14ª); Rio Bonito do Iguaçu (21ª); Campina Grande do Sul (83ª); Piraquara (88ª); Novas Tebas (105ª). Na região dos Campos Gerais aparecem na lista as cid ades de Ivaí (166ª) e Ortigueira (498º). Inácio Martins (443º), perto de Irati, também é citada.
Com uma taxa total de 27 homicídios em 100 mil habitantes, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking dos países mais violentos, melhor que a Colômbia e com taxas semelhantes às da Rússia e da Venezuela. As taxas de homicídio de 2004 são até 40 vezes superiores às taxas da Inglaterra, França, Alemanha, Áustria, Japão e Egito.
Outro tema abordado no livro são mortes por acidentes de trânsito. No período avaliado (1994-2004), constata-se um aumento de 20,8% nos óbitos por esta causa. No entanto, houve queda generalizada nas taxas de mortalidade em todas as faixas etárias, com exceção para a que vai dos 20 aos 30 anos. Assim como nos homicídios, os homens são as principais vítimas dos acidentes de trânsito.
Na avaliação do Ministério da Saúde, publicações como essa são importantes porque fornecem subsídios para a implementação de políticas públicas integradas e intersetoriais de prevenção d as violências, promoção da saúde e da cultura de paz.
O lançamento do livro “Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros” ocorreu ontem, durante coletiva de imprensa, no edifício sede do Ministério da Saúde, em Brasília. Participaram do lançamento ministro da Saúde, Agenor Álvares, o secretário de Vigilância em Saúde, Fabiano Pimenta, o diretor da OEI, Daniel Gonzáles, e o autor do estudo, o sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz.